A Mandatária do “MOIA”, após ter aceite o convite, achou por bem, expressar ao povo do Olival, os motivos que a levaram a participar no projecto do Movimento Independente.
E nós achámos por bem publicar esse manuscrito, que chegará ainda esta semana a casa de todos os Olivalenses.
Para ler e reler:
Mandatária da lista do MOIA:
Maria Fernanda Matias Santos Bento, eleitora nº 1056, natural do Olival, viúva, 50 anos de idade, professora do Ensino Secundário de Biologia/Geologia e apoiante do MOIA
CARTA ABERTA
E nós achámos por bem publicar esse manuscrito, que chegará ainda esta semana a casa de todos os Olivalenses.
Para ler e reler:
Mandatária da lista do MOIA:
Maria Fernanda Matias Santos Bento, eleitora nº 1056, natural do Olival, viúva, 50 anos de idade, professora do Ensino Secundário de Biologia/Geologia e apoiante do MOIA
CARTA ABERTA
Fui convidada para mandatar a lista do MOIA, que se propõe às próximas eleições autárquicas no Olival (Junta de Freguesia). Ao aceitar, fi-lo de forma convicta que estaria a cumprir um dever cívico; o espírito da equipa era encorajador e as convicções também não me deixaram quaisquer dúvidas.
É meu dever justificar à população do Olival os outros motivos que me lançaram neste desafio:
Nasci no Olival numa época em que a Educação e a Saúde não eram direitos consagrados numa Constituição.
Quando se estava doente ia-se ao médico, pagava-se a consulta e compravam-se os medicamentos se para isso houvesse dinheiro. Havia uma farmácia, que muitas vezes substituía o médico, pois ficava mais barato e também “fiava” quando as pessoas não podiam pagar.
Para que eu pudesse ter frequentado a Escola e prosseguisse estudos, os meus pais correram todos os riscos e suportaram grandes despesas. Provavelmente tiveram que fazer opções e abdicar de muitas coisas.
Felizmente os anos passaram e o direito à Educação e à Saúde é (?) uma realidade no nosso país.
Verifico com desilusão que a nossa freguesia continua a ser uma “ilha” que ficou imune ao investimento no potencial intelectual das gerações que se seguiram à minha. O parque escolar é o mesmo de há 50 anos atrás e carrega consigo toda a degradação própria da idade. O Primeiro Ciclo do Ensino Básico parece ser aquilo, que por cá, se considera ser a escolaridade obrigatória. A legislação é nacional, mas nós não a consideramos. A criação de Sedes de Agrupamentos de Escolas parece ser qualquer coisa de que abdicámos, talvez porque queremos continuar “orgulhosamente sós”. Acabo de saber, através de um jornal local, que todas as freguesias limítrofes têm infra-estruturas escolares superiores às nossas e irão ser dotadas, ainda, de mais investimentos contemplados por candidaturas a projectos aos fundos da UE. Se outros motivos não houvesse, estes eram mais que suficientes para me sensibilizar a tentar ser útil à freguesia onde nasci e onde fui sempre muito acarinhada.
Como disse atrás, o meu percurso escolar obrigou-me a estar, muitas vezes, ausente do Olival. Mas nem por isso esqueço as referências da minha infância e da adolescência (as minhas professoras da primária; os mimos dos donos das mercearias D. Júlia “Viúva do Luciano”, Sr. Coelho, Travancas, Sr. Zé Vieira, Sr. Dias e Sapata, etc. que me devolviam a casa sempre com uma “mão cheia de rebuçados”; o cuidado das Senhoras da Farmácia; a protecção atenta do Dr. Carlos Vaz, bom amigo e conselheiro; a óptima relação com o Seminário e os Padres Dominicanos; os meus colegas da escola primária que me acompanhavam até casa, em troca dos “santinhos” que eu retirava à colecção da minha mãe; a ligação forte às pessoas que viviam em lugares mais próximos da Cortada; …). Foi uma infância feliz, com muito calor humano. Mais tarde e em horas mais difíceis também a população da freguesia esteve comigo e com a minha família.
Por tudo o que relatei e pelo que fica sem ser dito, gostaria que as crianças e os jovens do Olival também um dia tivessem as suas referências. Para que isso aconteça é necessário que os adultos apostem nos valores que sentem serem os mais válidos.
O pouco que me proponho fazer é o início de um projecto que gostaria de ver continuado e que tem como objectivo final apostar nas pessoas, considerando que todas, sem excepção, têm um contributo muito válido para melhorar esta freguesia.
Olival, 29 de Julho de 2009
Maria Fernanda Matias Santos Bento
